MIlhares voltam às ruas nos EUA contra a política migratória
Milhares de pessoas marcharam hoje nas ruas das principais cidades dos Estados Unidos contra a política migratória da administração Trump, depois de uma norte-americana ter sido morta por um agente do Serviço de Imigração (ICE).
"O ICE [Immigration and Customs Enforcement, o Serviço federal de Imigração norte-americano] mata. São fascistas. São assassinos. Invadiram a nossa cidade", gritaram na concentração em Minneapolis, cidade onde a cidadã norte-americana foi morta a tiro.
A multidão juntou-se no local onde um agente do ICE disparou contra Renee Good, de 37 anos.
Naquele que foi o quarto dia consecutivo de protestos contra a morte de Renee Good, os manifestantes saíram às ruas com imagens da vítima, cartazes contra Trump e outros a exigir o fim das operações dos agentes federais na cidade.
"Estamos aqui para protestar contra as violações dos direitos humanos que este governo está a cometer, o tratamento desumano das pessoas e o assassínio de Renee Good", disse à agência EFE Kelly Joyce, uma residente de Minneapolis, de 65 anos.
"Queremos justiça e queremos respeito. Queremos que esta administração pare com a retórica contra os imigrantes. Não somos criminosos. A cor da nossa pele ou o facto de falarmos espanhol não significa que sejamos criminosos", disse Daniel, de 45 anos, residente em Minneapolis e de origem mexicana.
Em Nova Iorque, a manifestação juntou a condenação dos ataques dos agentes federais à rejeição das políticas expansionistas de Trump e às mortes no âmbito da campanha antidroga que o presidente dos Estados Unidos desenvolve nas Caraíbas.
Na capital federal, Washington, um grupo de pessoas reuniu-se em frente da Casa Branca para exigir o fim dos ataques contra os imigrantes e condenar a violência perpetrada nos últimos dias por agentes federais.
A norte-americana Renee Nicole Good foi morta na quarta-feira por um agente do ICE, durante uma operação de imigração integrada na campanha do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, naquela cidade.
A secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, o Presidente Trump e outros membros da administração caracterizaram repetidamente o tiroteio em Minneapolis como um ato de legítima defesa e retrataram Renee Good como uma vilã, sugerindo que usou o seu veículo como arma para atacar o polícia que disparou sobre ela.
No entanto, as autoridades estaduais e locais, bem como os manifestantes, rejeitam esta caracterização e o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, disse que as gravações em vídeo mostram que o argumento da legítima defesa é "um disparate".
A Human Rights Watch (HRW) considerou que a versão da administração norte-americana é "totalmente inconsistente com qualquer análise razoável das imagens de vídeo" e enquadra a morte de Good "num padrão mais amplo de incidentes envolvendo o uso de armas de fogo em circunstâncias questionáveis durante operações de fiscalização de imigração".